Arnaldo Mickey se prepara para o próximo desafio e sonha com sucesso no MMA para dar vida melhor a família


Thiago Duval 

Arnaldo Mickey 1

Arnaldo Mickey se prepara para mais um desafio – Foto: Renato Nogueira/MMA4Ever

O caminho de um lutador de MMA é longo, para chegar até o topo é necessário passar por obstáculos. No início muitos passam por dificuldades e com Arnaldo Mickey não é diferente. Nascido em Natal (RN), o atleta chegou ao Rio de Janeiro, mais precisamente no município de Duque de Caxias, com apenas 10 anos e desde cedo precisou batalhar para crescer na vida. Aos 29 anos, Mickey se divide entre dar aulas de Muay Thai e os treinamentos. Arnaldo se prepara para mais um desafio na carreira onde defenderá seu cinturão dos galos do Favela Kombat contra Henrique Souza no dia 25 de outubro, na 17ª edição do evento.

A luta contra Henrique Souza será uma revanche, já que os dois se enfrentaram em março na 13ª edição do evento e Arnaldo Mickey levou a melhor vencendo por nocaute técnico no quarto round. Para o próximo desafio Mickey diz que está treinando bastante.

“Estou treinando todo o dia, tenho estudado ele, porque ele é um excelente atleta. Não tenho nada contra ele, é um excelente atleta, que tem uma mão pesada, só que agora a gente já tem uma experiência dos dois, ele sabe a potência do meu chute e eu sei a potência do braço dele e agora é estudar. Ele me estuda e eu estudo ele, sei que ele é um excelente atleta, mas vamos ver e que vença o melhor e eu vou com garra para defender meu cinturão” disse.

Arnaldo Mickey é oriundo do boxe, onde começou aos 18 anos. Aos 22, através de um primo conheceu o Muay Thai e acabou migrando para a modalidade. O início não foi fácil e o lutador lembrou com bom humor como foi o início na arte marcial tailandesa.

“Comecei no boxe, foi minha primeira modalidade que eu fiz foi o boxe com 18 anos. No Muay Thai comecei com 22 anos através de um primo meu que me levou para a academia aí, fiz duas semanas e acabei gostando. Fiquei com a perna toda lascada, doendo pra caramba (risos), cheio de cãimbra, porque eu nunca tinha feito, só tinha feito boxe, tinha feito três anos de boxe, aí me interessei em fazer o Muay Thai, então meu primo foi e me levou, tenho até hoje um short de Muay Thai que ele me deu de presente, até hoje. Foi aí que eu comecei aí estou aí vão fazer sete anos já de Muay Thai e agora conhecendo o MMA” disse

Mickey Campeão

Arnaldo Mickey é campeão dos galos no Favela Kombat – Foto: Thiago Duval

No MMA, Arnaldo Mickey tem quatro lutas, com três vitórias e uma derrota. O lutador conta como foi a transição para as artes marciais mistas.

“Para mim foi uma experiência surreal, porque eu nunca tinha feito, então me dediquei a treinar para pegar isso aí, esse treino e o específico, essa transição para igualar os dois. Ainda está estou tendo um pouco de dificuldade, porque ainda tenho muita mania do Muay Thai que eu tenho que esquecer. Eu estava até treinando menos Muay Thai para esquecer um pouco e ir para o westling, faço um pouco de jiu-jitsu, mas faço mais westling. Minha primeira luta de MMA foi no Trocação na Praça Seca, não me lembro o nome, só sei que ele é do Relma, foi uma experiência enorme, muito grande mesmo, sem saber de nada de chão. Foram três semanas treinando Jiu-Jitsu para a luta e não sabia nada, nada mesmo, foi uma experiência maneira e quando vi que ganhei, fiquei mais empolgado ainda, daí que eu comecei a treinar, a pegar firme mesmo. Os treinos de Jiu-Jitsu eram sempre no mesmo horário do que o meu e nunca dava para pegar, então eu fugia da aula e pegava meia hora de Jiu-Jitsu e voltava as aulas de novo, que era a única forma que eu tinha” disse.

Arnaldo Mickey 2

Especialista em Muay Thai, Arnaldo Mickey aprimora seu jogo de chão – Foto: Renato Nogueira/MMA4Ever

Arnaldo Mickey é especialista em Muay Thai e tem em seus chutes uma grande arma, mas o lutador está treinando cada vez mais para melhorar seu jogo de solo.

“No Muay Thai eu tenho 20 lutas, incluindo amador e profissional, perdi uma só e agora estou me dedicando cada vez mais para o MMA, especializando mais ainda o chão, específico, trabalho físico. O wrestling é uma novidade enorme para mim, , nunca tinha feito, sempre vi, sempre gostei, mas nunca tinha feito e agora é uma novidade para mim. Estou treinando com o Fernandinho da GF Team, um cara super gente boa, tranquilão, paciente a beça,porque ele está pegando um cara cru de chão, de tudo, não sei nada e ele está me pegando aí do começo” disse.

No início da carreira diversos lutadores se dividem entre os treinos e o trabalho. Antes de dar aulas de Muay Thai e virar atleta, Arnaldo Mickey trabalhou em obras como gesseiro.

“Eu tinha meu trabalho normal, antes de conhecer o Muay Thai e dar aula. Hoje em dia eu dou aula e treino, vivo da luta, só que antes eu tinha outro trabalho por fora de carteira assinada. Trabalhava em obra como gesseiro, era servente e hoje em dia me dediquei a luta e agora vou vivendo de aula a luta. Todo dia eram 40 sacos de gesso nas costas, a gente subia e descia escadas, tem até uns amigos aí hoje que me elogiam, porque eles viam a minha dedicação. Saía do trabalho, ia direto para a academia treinar. Eu chegava todo branco de gesso e meu mestre gostava, se empolgava, se emocionava e tudo. Hoje em dia até ele brinca comigo perguntando se eu quero voltar a ser gesseiro. Não cuspo para o alto e não digo que não vou voltar, foi uma experiência para mim, uma profissão, quem sabe? As vezes faço uns trabalhos em casa, faço umas decorações em casa, que é esse trabalho aí” disse Mickey, que também falou que foi na obra que recebeu o apelido do personagem símbolo da Disney.

“Surgiu na obra, um parceiro meu veio do nada e falou “Cara você parece com o Mickey”, aí pegou, tem uns 12 anos, muito tempo já. Todo mundo me chama assim, eu me chamo Arnaldo, mas me chamar assim é raro, hoje em dia é só Mickey, só a minha mãe me chama de Arnaldo (risos). Já tive outros apelidos, mas Mickey foi que pegou” contou.

Nascido em Natal, Arnaldo Mickey chegou ao Rio de Janeiro aos 10 anos e hoje vive no município de Duque de Caxias, na Região Metropolitana. O lutador disse como foi a sua chegada e como foi sua vida.

Mickey e filha

Mickey comemora título do Favela Kombat com a filha, que não perde um combate do pai – Foto: Thiago Duval

“Eu sou de Natal e vim para cá com 10 anos de idade. A minha mãe é separada do meu pai, que faleceu quando eu tinha 18 anos. Vim para cá e não conhecia nada, fui conhecendo a vida, sempre obedecendo e respeitando a minha mãe. Meus irmãos que viviam com a gente e tomava conta da gente. Enquanto a minha mãe trabalhava e eu tomava conta do meu irmão caçula, hoje em dia ele tem 28 anos, um moleque muito gente boa e foi assim minha vida em Caxias, me dedicando e trabalhando para conseguir as coisas” disse o lutador, que sonha em voltar a terra natal para visitar os parentes.

“Sou de Natal, Rio Grande do Norte, meus familiares são todos de lá. Aqui é só eu, minha mãe e meus irmãos, tios, primos, avós, são tudo de lá. Espero voltar um dia, porque já tem um tempo que eu não volto para lá” disse.

Para fazer seu estilo de luta, Arnaldo Mickey se inspira em lutadores de sucesso como José Aldo, Vítor Belfort, o também potiguar Renan Barão entre outros.

“Tenho o José Aldo, que é um cara que basicamente eu vejo todas as lutas dele, Georges St-Pierre, que é um cara muito inteligente, muito técnico, o Wanderlei Silva, que é o verdadeiro Cachorro Louco. Um cara de antigamente que gosto de ver é o Vítor Belfort é um cara explosivo e conseguiu o cinturão bem novo, é um cara que eu vejo muito. Gosto muito do Barão, que é meu conterrâneo, veio da mesma terra e conseguiu chegar as alturas no UFC. É o Vítor Belfort e o José Aldo hoje em dia, mas o Pedro Rizzo também mexe comigo, sem falar do meu mestre que também tem uma perna pesada e nos ensina a chutar e ter toda a técnica de chutar forte” disse.

Todo o lutador de MMA quando começa tem o sonho de chegar ao UFC e com Arnaldo Mickey não é diferente. O lutador sonha em chegar ao Ultimate para poder dar uma vida melhor a sua filha.

“Esse é o sonho de cada atleta e o meu não é diferente, isso é um objetivo e eu quero de chegar lá, com muita garra, muito treino, porque não é só chegar lá no UFC, é dar uma condição melhor para a minha família, não é só chegar lá no UFC não. Preparação para chegar, capacidade eu acho que tenho para chegar lá, então é basicamente treinar e chegar lá, porque lá a história é diferente” disse o lutador que falou que a filha de nove anos é sua maior incentivadora e inspiração.

“Tem muita gente que me incentiva, meus alunos, a Daedo, que me patrocina me dando todas as condições e tudo o que preciso, meus amigos, mas meu maior incentivo é minha filha, ela é o meu foco, minha inspiração, para mim é o meu tudo. Tem bastante gente que me incentiva, me ajuda, mas ela é minha maior inspiração” disse.

Para chegar até o UFC o lutador precisa antes atuar bem nos eventos nacionais e ciente disso, Arnaldo Mickey acompanha e está antenado com o que acontece em sua categoria dentro do Brasil.

“Eu vejo o Face to Face, o XFC, gosto muito de ver o Shooto, que tem uma galera muito boa, tem o Aspera que meu empresário está vendo para eu lutar e que vai dar oportunidade para eu lutar, se Deus quiser, sempre gosto de acompanhar os eventos nacionais. Espero um dia colocar o cinturão do UFC na cintura , quero um dia chegar lá e espero um dia chegar lá entre os galos. No momento sou cinturão do Favela Kombat e vou defender com unhas e dentes, quem sabe daí para frente vem também cinturões de outros eventos?” disse o lutador analisando como está o cenário entre os galos, categoria que atua.

“Muita velocidade, além dos caras serem rápidos, eles tem um gás excelente, enorme, então espero chegar um dia dessa forma aí, que nem eles. Eu fico muito admirado e vejo muitas lutas do UFC entre os galos e tento impor isso na minha luta, da forma que eles são, os caras estão preparados e a única forma que tenho que fazer é ser da mesma forma” disse.

Arnaldo Mickey 3

Arnaldo Mickey defende o cinturão do Favela Kombat contra Henrique Souza – Foto: Renato Nogueira/MMA4Ever

Mãe de lutador sempre fica muito preocupada com o filho e a de Arnaldo Mickey não é diferente. O lutador diz que ela não acompanha. Se a mãe não acompanha, a filha faz o contrário, não perde uma.

“Ela nunca viu e não quer ver, nem pela televisão (risos), é totalmente ao contrário da minha filha, que vai fazer nove anos e o que ela puder de ver de luta minha, ela se empolga cada vez mais e eu agradeço muito isso” disse.

Para seu próximo desafio Arnaldo Mickey espera fazer uma boa luta e manda um recado para seus fãs.

“A minha expectativa é fazer o melhor, dar o meu melhor, independente de vitória ou derrota, quero fazer uma luta excelente. Eu vou com a expectativa de defender o cinturão, que Deus me ajudou aí para chegar lá e ganhar, então não vou desistir tão fácil não. Desistir nunca, isso é o essencial,sempre correr atrás do sonho, procurar se dedicar cada dia mais, não deixar que o cansaço, ou alguém o faça desistir. Deixo sempre para os meus alunos que cansaço é para os fracos, desistir é sempre para os fracos. Eu sempre digo para nunca desistir” disse.