Campeão do XFC, Bruno Macaco comemora retorno ao cage no Shooto Brasil 64


Thiago Duval

Bruno Macaco

Bruno Macaco faz luta principal do Shooto Brasil 64 diante de Lincoln Sá de olho no UFC – Foto: Thiago Duval

Em março do ano passado Bruno Macaco se sagrou campeão dos moscas (até 57kg) do XFC ao vencer Allan Puro Osso, mas de lá para cá o atleta da Nova União não entrou mais em ação. Após mais de um ano parado, o brasiliense retorna ao cage para enfrentar Lincon de Sá na luta principal do Shooto Brasil 64, que acontece no próximo domingo (26), no Rio de Janeiro.

Em meio a preparação para o próximo desafio, Bruno Macaco conversou com a reportagem do Lutas Esporte Clube e não escondeu a alegria de poder voltar a entrar em ação.

“Estou muito feliz de voltar a lutar, fazer o main event do Shooto. Estou bem treinando, sedento por luta, quero mostrar o melhor, quero dar show. Me preparei muito bem, treinei de tudo para essa luta, e vocês podem esperar o melhor, um Macaco muito mais evoluído, muito melhor do que na última luta”, disse.

O atleta da Nova União terá pela frente Lincon de Sá que vem embalado pela vitória sobre Charles Lee no X-Force 3, que aconteceu no último sábado (18) em Macaé (RJ). Sobre o adversário, Bruno Macaco disse que não o conhece pessoalmente, mas já assistiu algumas lutas.

“Não o conheço o pessoalmente, mas já assisti a algumas lutas dele, acompanhei o GP que ele se sagrou campeão do Shooto. Ele é um cara duro, experimente, versátil, tem um boxe bom, se movimenta bem, a maioria das suas lutas ganhou por finalização, é um bom adversário”, avaliou.

Bruno Macaco vence Alan Puro Osso

Bruno Macaco não luta desde que conquistou o cinturão do XFC – Foto: Fusion Photography

Para Bruno Macaco a vitória sobre Lincon Sá tem grande importância, pois o lutador acredita que o triunfo pode ajudar a dar um salto maior na carreira.

“Eu acho que uma vitória sobre o Lincon é um passo importante, já que se trata de um atleta muito difícil e experiente, mas estou preparado para vencer e ir cada vez mais longe na carreira. Todo lutador sonha em estar no UFC, eu sonho em ser o melhor do mundo, se os melhores do mundo estão lá no UFC, eu vou atrás deles, já que quero ser o melhor”, disse.

Durante o período sem lutar, Bruno Macaco ajudou nos treinos de seus colegas de Nova União, como José Aldo, Claudia Gadelha e Dudu Dantas.

“Começo do camping da Claudinha ajudei, mas agora estou ajudando o Junior (José Aldo) e ele me ajuda bastante também, ajudei também o Dudu Dantas”, disse.

No período que ficou sem subir no cage, Bruno Macaco não deixou o espírito competitivo de lado e entrou em ação em algumas competições de Jiu-Jitsu.

“Queria ter lutado mais, mas acabou não acontecendo, então lutei uns campeonatos de jiu-jitsu para não perder o ritmo”, disse o lutador que também falou sobre a emoção de se tornar campeão do XFC.

Bruno Macaco

Bruno Macaco conquistou o cinturão do XFC ao vencer Allan Puro Osso – Fusion Photography

“Foi a primeira vez que lutei em um evento grande e fui direto para a disputa do cinturão, foi uma coisa muito boa, pois mudou a minha vida. Ganhei 10 vezes mais do que eu ganhava em qualquer evento aqui no Brasil, o reconhecimento é outro, vários patrocínios, mudou a minha vida, mas que ainda quero ir mais alto”, disse.

Assim como diversos lutadores que atuam no cenário nacional, Bruno Macaco também passou por dificuldades. O atleta da Nova União conta que antes de conquistar o cinturão do XFC contava apenas com o “patrocínio” da mãe que o ajudava com os lucros que tirava vendendo cachorro quente. O brasiliense sonha em poder viver da luta para dar uma vida melhor a filha que mora em Brasília.

“Ser lutador no Brasil é muito difícil, pois não temos patrocínios, temos poucas ajudas, agora mesmo estou morando no Rio de Janeiro e minha família é toda de Brasília, então é difícil a gente se manter longe da nossa família. Antes de ser campeão do XFC eu não tinha nada, era só minha mãe me ajudando, ela vendia cachorro quente lá em Brasília e me mandava 20 reais todos os dias, que era o que ela podia me dar. Ela vendia o cachorro quente tirava o dela, e os 20 reais me dava, então ia economizando para poder sobreviver. Hoje em dia graças a Deus eu consigo me manter com meus patrocínios, mas não vivo bem ainda. Meu sonho é poder viver bem do esporte, comprar meu carro, uma casa, poder dar uma vida melhor para a minha filha, que mora em Brasília, que às vezes fico apertado para pagar a pensão dela, é difícil mesmo lutando em um evento bom”, contou o atleta de 26 anos que soma 13 vitórias e duas derrotas na carreira.