Campeão do Face to Face, Márcio Pedra fala sobre a conquista e o sonho de lutar no UFC


Thiago Duval

Marcio_Pedra Cinturão

Márcio Pedra posa com o cinturão do Face to Face em almoço de comemoração – Foto: Renato Nogueira/MMA4Ever

Márcio Pedra se sagrou campeão do Face to Face no dia 12 de setembro. O lutador de Belford Roxo conquistou o cinturão dos meio-médios (77 kg) ao vencer o duelo entre ex-participantes do TUF Brasil contra Guilherme Bomba por decisão dividida (29-28, 28-29 e 29-28) e recuperou o cinturão da categoria, já que havia perdido o título por não ter conseguido bater o peso na décima edição do evento.

O ex participante da segunda edição do The Ultimate Fighter Brasil disse que a conquista do cinturão dá a sensação de dever cumprido.

“A sensação é de dever cumprido, esse camp que durou cerca de quatro meses, já que o Face to Face era para ter acontecido em julho, aí mudou e enfim em setembro a gente pode ir a Vitória e cumprir essa missão, a árdua missão que foi lutar com o Guilherme Bomba. Foi uma luta duríssima, uma verdadeira guerra, que fez que essa sensação de dever cumprido fosse maior, porque realmente fez valer essa cinta que está comigo e a gente tinha quase uma novela mexicana dentro do Face to Face. A gente foi lá lutou com o Sérgio e conquistou, por incrível que pareça no dia 12 de setembro, quando completava um ano da conquista eu estive novamente lutando para conquistar esse título, que foi duro, mas extremamente valoroso, deu para mostrar a garra e a essência do Márcio Pedra” disse.

Márcio Pedra contou como foi a sua preparação para o duelo no Face to Face 12 e sobre enfrentar o também ex participante do TUF Brasil, só que na terceira edição do reality.

“A minha preparação foi boa e sempre me perguntavam que eu ia pegar um cara muito duro, o Guilherme Bomba, que já teve a oportunidade de estar no UFC e trilhou basicamente o mesmo caminho que eu, fez a sua carreira nacional, teve a oportunidade de estar dentro do The Ultimate Fighter, ele participou da terceira edição e eu da segunda. Só que ele teve a oportunidade de lutar no UFC, oportunidade que eu não tive quando saí da casa, ele fez uma luta e saiu. Eu tinha certeza que ia pegar um atleta com muita gana de trilhar o caminho dos grandes eventos, quando pessoal me perguntava eu dizia que estava me preparando para o pior, sabia que ele era um grapiling, ia fazer uma luta agarrada e eu treinei muito meu boxe com o Zeilton Nenzão, treinei demais o meu boxe, meu strike para poder fazer uma luta em pé basicamente mostrar a evolução do Márcio Pedra na parte em pé e a minha preparação física, que foi de excelência”, disse.

Marcio Pedra

Márcio Pedra venceu Guilherme Bomba na disputa de cinturão dos meio-médios do Face to Face – Foto: Jana Aguiar

O cinturão do Face to Face era para estar nas mãos de Márcio Pedra antes, mas o lutador não levou, pois não bateu o peso no combate contra Silvio Pantera pela décima edição do evento. Pedra disse que o incidente serviu como aprendizado.

“Eu tive um problema que acarretou na perda do meu cinturão, quando não bati meu peso contra o Pantera, então eu tive o dever de bater o peso para conquistar o cinturão contra o Bomba e graças a Deus consegui, fruto de muita dedicação, determinação, bati praticamente 2kg abaixo da minha categoria, bati 75kg e tirei onda (risos). Eu via os atletas sofrendo para bater o peso e eu já estava no peso três dias antes da pesagem. Para mim o camp foi um sucesso, a luta foi um sucesso e agora é só colher os frutos dessa vitória. Simplesmente tive um choque de realidade, de profissionalismo. Eu estava habituado a tirar 12, 13 quilos em 24 horas e relaxava, mas chegou uma hora que o corpo reteve na luta contra o Pantera não rolou, mas dessa vez foi dieta, disciplina, muita disciplina, foco em uma semana muito rígida e com treino muito forte. Foi o treino e a disciplina que quando eu subi na balança eu agradeci a Deus pelo ensinamento. Deus me disse: “Vou tirar o seu cinturão para você aprender a ser um profissional, bate o peso e ter disciplina, porque isso também faz parte da sua carreira” e eu aprendi, ouvi os ensinamentos, tive uma disciplina, consegui bater bem e agora eu tenho certeza que é um aprendizado, uma evolução, peso para mim não vai ser mais problema e quem sabe a gente desce até para a categoria de 70kg ? (risos)”, brincou.

O atleta de 26 anos contou como foi a vitória por decisão dividida sobre Guilherme Bomba, já que para alguns o resultado foi polêmico, por isso Pedra falou sobre a luta.

“A todo momento eu andava para frente pressionando, mesmo ele contragolpeando eu não saia de cima dele enquanto o último golpe não fosse o meu. Fiquei um pouco preocupado, pois a gente sabe que o MMA é regido pela CABMMA, acho que se fosse uma arbitragem internacional daria até margem para a vitória dele pelas quedas, mas como eu falei aquilo lá não é Judô, queda não é ponto, não é Luta Livre, não é Submission, onde queda conta ponto. Ele me derrubava no desespero de levar a luta dele para onde ele queria, para onde ele é melhor, que é atuando no ground and pound, no chão. Ele me derrubava, só que não tinha o controle, ele não conseguia me manter no solo, então as pessoas falam: “Mas ele te derrubou duas ou três vezes”, queda não é ponto, ele me derrubava eu levantava e batia nele. Nos dois últimos rounds eu o derrubei, ali sim eu gostei que foi queda seguido de controle, onde derrubei e terminei batendo nele, fazendo ground and pound. No último round se tivesse mais um minuto o Bomba teria sido nocauteado ou finalizado” disse.

Almoço_Marcio_Pedra_8-640x427

Márcio Pedra sonha em voltar ao UFC – Foto: Renato Nogueira/MMA4Ever

Após a conquista do cinturão Márcio Pedra, ainda no octógono, aproveitou para pedir a namorada em casamento e arrancou aplausos do público.

“Foi uma coisa que eu senti no coração, o cara perguntou como foi a luta, o diferencial e eu nem respondi e falei logo do casamento, pedindo ela em casamento, foi desejo que eu e ela tínhamos no coração, já que eu prezo a família e acho que foi a decisão mais acertada. No Espírito Santo eu só tenho conquistas, lutei em Vila Velha e conquistei o cinturão, agora tive a chance de recuperar meu cinturão em Vitória e foi muito bacana, em Vitória sair vitorioso foi esplêndido (risos), por isso achei uma hora boa para isso, e ela teve que aceitar, não teve jeito (risos)”, brincou.

Quem deseja tirar o cinturão das mãos de Márcio Pedra terá bastante trabalho, já que o lutador disse que está focado e vai treinar em dobro para manter o título do Face to Face.

“Achar que ninguém tira é difícil, porque nada é para sempre, mas eu garanto que vou treinar com o dobro de dedicação e determinação sempre para mante-lo, porque além do cinturão é a felicidade que eu posso trazer para os meus entes queridos. A luta é sempre mais, o cinturão é um detalhe, o melhor é ver a felicidade dos familiares, dos amigos quando a gente é vitorioso e tem o braço erguido. Como eu sempre falo meu compromisso é sempre com a vitória, independente de como ela venha, nocaute, TKO, por pontos ou decisão dividida como foi nessa luta, o importante é ter o braço erguido. Eu acho que essa foi a diferença da minha luta para o Bomba, não que ele não quisesse, mas eu queria muito mais, acho que deu para ver, estava estampado que eu queria muito mais que ele”, disse Pedra que mandou o recado para quem deseja enfrentar o belford-roxense.

”A cinta está comigo, quem bater 77kg e acha que é possível tirar de mim, por favor ligar para o Alex Gazé (organizador do Face to Face)”, disse Márcio Pedra.

pedra_1

Márcio Pedra participou da segunda edição do TUF Brasil – Divulgação UFC

Márcio Pedra participou da segunda edição brasileira do The Ultimate Fighter e fez parte da equipe do atual campeão dos pesos pesados do UFC, Fabrício Werdum. Dentro da casa o lutador foi eliminado pelo argentino Santiago Ponzinibbio sendo derrotado por nocaute no primeiro round e não teve a chance de lutar pelo Ultimate. Após a conquista do Face to Face, Pedra espera ter uma chance de entrar de fazer uma carreira internacional e entrar para a maior organização de MMA do mundo.

“Acho que é o objetivo de todos os atletas, parece meio clichê, mas o UFC é a Copa do Mundo do MMA. Eu quero uma carreira internacional, quero mostrar que o Márcio Pedra saiu de Belford Roxo para o mundo, meus amigos que foram criados comigo ficam muito felizes quando eu cito e quero gritar para o mundo, quem sabe até em inglês, vou treinar meu inglês para gritar Baixada é cruel (risos), para trazer mais alegria aos que me acompanham e torcem para mim. Eu quero uma carreira internacional, seja no UFC, no Bellator, outros eventos, tem tanto evento internacional que está crescendo, mas eu tenho uma história inacabada no UFC. Tive a oportunidade de participar do TUF, quero mostrar o que o Dana White não conseguiu ver quando estive lá, ou o Joe Silva. Quero mostrar que o Márcio Pedra tem totais condições de ser manter e quem sabe ser campeão nessa categoria, dentro do maior evento do mundo que é o UFC. Dana White, Joe Silva estou aqui pronto aguardando uma oportunidade”, deu o recado.

O ex-TUF Brasil também falou como foi a sua participação dentro do reality e como ficou sua carreira após a passagem na casa. O lutador aproveitou para mandar o recado para Dana White e Joe Silva.

”O TUF só tem agregado, tanto que o pós TUF eu estou invicto. Quando participei, completei 24 anos dentro do TUF e eu só tinha quatro lutas positivas, quatro vitórias e uma derrota e aqui fora eu to invicto. Aqui fora eu só lutei com top foram três lutas com top 5 da categoria. Sérgio Junior, ex Bellator, um cara que vinha de dois camps do Lyoto Machida, um atleta duríssimo. O Sílvio Pantera também top 5 trilhando a carreira, fazendo recorde tentando se credenciar para lutar os eventos internacionais e agora o Bomba que estava lá brigando, vindo de quatro vitórias consecutivas e foi o que falei, tinha uma pedra no caminho de todos eles (risos). A gente vai continuar nosso caminho, se não for agora, Joe, Dana, eu vou continuar batendo em todo mundo aqui até vocês prestarem atenção em mim, não tem jeito, ou vai por bem ou vai por mal (risos)” brincou.

Almoço_Marcio_Pedra_9-640x450

Márcio Pedra exibe cinturão em almoço comemorativo – Foto: Renato Nogueira/MMA4Ever

Márcio Pedra é campeão do Face to Face entre os meio-médios (77 kg), o lutador falou como está o cenário dentro de sua divisão no UFC.

“O 77 até dentro do UFC é uma categoria muito difícil, aqui no Brasil a gente tem o Warley Alves, o Willian Patolino, o Demian Maia, uma galera boa e só esses três que citei são caras duríssimos, caras que eu não desejaria estrear dentro do UFC (risos). Já pensou? Seriam lutas duríssimas, mas eu iria fazer, pois não escolho lutas. É uma categoria em nível internacional muito difícil. Acho que não há tantas renovações nessa categoria por isso, por ter tantos postulantes a título, então pode ver que toda a luta que tem em 77, são em grandes eventos, marcantes dentro do UFC. Acho que se fosse outra categoria de repente eu já estaria dentro do UFC, no 70 ou no 84, que a gente tem o Marreta, o Cowboy da TFT, que foi contratado para lutar na categoria de 70, lutou de 77, mas ele entrou para lutar de 70. Em outras categorias tem tido renovação, talvez se eu fosse um peso pesado, no Brasil então é escasso, porque não é o perfil do brasileiro, mas é isso eu estou pronto batalhando para conquistar meu espaço” disse o lutador, que também falou sobre o cenário nacional.

“Hoje com essas conquistas não sei como funciona essa questão de ranking, mas eu acho que estou bem, participei do TUF, ganhei grandes atletas aqui fora, eu não sei como seria o ranking nacional, mas acho que estou figurando entre top 10, top 15, não sei. Realmente no Brasil temos poucos 77 e três dos tops já lutaram comigo, foram lutas duríssimas, e eu consegui passar por eles. Eu acho que se não for agora, daqui a uma ou duas lutas, a gente vai conseguir trilhar uma carreira internacional”, avaliou.

Márcio Pedra agradeceu aos fãs pela torcida no desafio do Face to Face , pediu desculpa por deixar os fãs “nervosos” e brincou sobre a sua luta.

“Agradeço plenamente a galera que me apoiou, peço desculpas por ter deixado vocês nervosos. Se o Galvão Bueno tivesse narrado a luta ele diria “Haja coração” (risos). Foi uma luta duríssima, quero agradecer também ao Guilherme Bomba e desejar sorte para ele, mas a cinta está comigo e quem acha que bater 77kg e acha que é possível tirar de mim, por favor ligar para o Alex Gazé e se credencia. Dana White, Joe Silva estou aqui pronto aguardando uma oportunidade”, disse.

Confira a entrevista em vídeo de Márcio Pedra feita na parceria do Lutas Esporte Clube com o MMA4Ever 

Reportagem: Thiago Duval

Imagens: Renato Nogueira

Edição: Marcos Oliveira