Claudia Gadelha fala sobre seu treinamento nos Estados Unidos e diz que brasileiros treinam de forma errada


Thiago Duval

Claudinha Gadelha

Claudia Gadelha disse ter encontrado treinos melhores nos Estados Unidos – Foto: Thiago Duval

Após ter a tentativa de conquistar o cinturão dos palhas (até 52kg) frustrada ao perder pela segunda vez para Joanna Jedrzejczyk, Claudia Gadelha decidiu fazer mudanças buscando evolução em seu jogo e a primeira foi sair da Nova União para treinar nos Estados Unidos. A brasileira entra em ação no UFC Fight Night 100, que acontece no dia 19 de novembro em São Paulo para enfrentar Cortney Casey . Na última terça-feira (18), Claudinha conversou com a imprensa via skype no Midia Day organizado pelo UFC no Rio de Janeiro e falou sobre a mudança e sua preparação na equipe do treinador Greg Jackson.

“Estava na hora de ter um camp mais relax, conseguir descansar mais, focar mais na parte técnica. No Brasil a gente treina muito, procura muito evolução, mas da maneira errada, porque acabamos treinando demais. Não é nem por falta de informação. É que o brasileiro é tão sofrido que quer muito, e treina demais. Mas às vezes isso não é a coisa certa. Aqui a diferença é essa. Eles sabem periodizar o treinamento melhor, descansam mais. Estou sentindo a diferença nessa parte”, disse.

Para Claudia Gadelha o erro na preparação para a revanche contra Joanna Jedrzejczyk foi o treinamento exagerado a brasileira acredita que teve problema de “overtraining”. Claudinha acredita que tenha passado do ponto em seus treinos.

“Nunca senti, em nenhum treino, o que eu senti naquela luta. Meu braços pesaram, não consegui mais lutar. Revendo o que aconteceu, eu exagerei com a vontade para vencer. Fiz 17 semanas de camp, é um absurdo. Eu me senti uma mulher maravilha, a mais treinada do mundo para essa luta. Mas, às vezes, treinar demais não é o certo. É isso que eu estou aprendendo, conhecendo outras equipes, outras mentalidades. O preparo físico foi o meu problema porque eu passei do ponto. Cheguei ao ponto em que deveria estar bem antes da luta e, ali na hora, meu corpo não estava mais agüentando”, afirma.

Claudia Gadelha tem treinado na JacksonWink e elogiou sua nova equipe falando sobre a melhor organização nos treinamentos. A brasileira também ressaltou que agora leva vantagem por se tratar de um local de altitude (aproximadamente 1.619 metros acima do nível do mar), o que ajuda na preparação cardiovascular, que é seu foco no momento. Mesmo treinando nos Estados Unidos, Claudinha não descartou um retorno a Nova União por causa da relação forte com o treinador Jair Lourenço. A potiguar gostaria de contar com seu mestre em seu corner para o duelo contra Cortney Casey.

“Acho que ainda existe vínculo com a Nova União por causa dessa parceria com o Jair. É um cara que eu quero do meu lado para o resto da vida. Saí da Nova União, mas a Nova União não sai de mim. Continuo respeitando a equipe. Estou tentando trazê-lo aqui para ver meus treinos, porque, para estar no meu córner, ele precisa ver meu treinamento. Ele está sem tempo, ainda estamos vendo isso, mas quero ter ele, sim”, disse a lutadora que também falou sobre o relacionamento com o líder da Nova União, que Claudinha classificou apenas como profissional.

“A minha relação com o Dedé sempre foi muito profissional. A gente nunca foi muito amigo, muito parceiro. E continua do mesmo jeito. Se tiver que tratar alguma coisa profissional, eu vou ligar para ele ou ele vai me ligar. Não aconteceu nada demais. Eu precisava buscar evolução e a evolução está aqui. O Brasil fica para trás em algumas coisas, principalmente no esporte. Como quero melhorar, tive que vir para cá. Mas minha relação com o Dedé continua a mesma, 100% profissional”, disse.