Ex-mendigo, Fabio Nativo luta no Face to Face 13 e sonha em conhecer Dana White


Fabio Nativo

O atleta da Rio Fighters Fábio Nativo encara Jeferson da Fonseca no Face to Face 13 – Divulgação

Aos quatro anos, ele viu a mãe atear fogo no próprio corpo. Sua família, sem condições de sustentar uma moradia, foi viver na rua. E, da rua para o crime, foi um pulo. Ele foi segurança do tráfico, assaltante e usuário de drogas. O sofrimento começou cedo na vida de Fabio “Nativo” Ventura. Mas o esporte salvou a sua vida. Agora, aos 28 anos, o morador da comunidade Chapéu Mangueira, no Leme, zona sul do Rio de Janeiro, agarra com unhas e dentes as oportunidades que a vida tem lhe dado.

“Eu nasci em São Gonçalo, venho de uma família muito pobre. Minha mãe cometeu suicídio, ela ateou fogo no próprio corpo… Eu tinha 4 anos quando ela se matou. Fui criado por uma mulher que mexe com macumba, ela era uma pessoa muito ruim, me maltratou muito. Eu virei mendigo e, depois de um tempo, acabei virando bandido. Fui ladrão e trabalhei para o tráfico. Se não fosse o esporte, não sei onde estaria agora. Eu não vi a morte de perto, ela já nasceu do meu lado. Então, eu agradeço a Deus e ao MMA por ter me tirado daquela vida ruim. Hoje, sou muito feliz com a vida que tenho, e agradeço muito as pessoas que me deram a oportunidade de mudar a minha vida”, disse o atleta da Rio Fighters.

E não foram poucas as pessoas que ajudaram Nativo. Seu primeiro professor foi o faixa-preta de Jiu-Jitsu Marcelo Penca, que até hoje dá aulas no Chapéu Mangueira. Penca tirou Fabio de dentro da boca de fumo. Algum tempo depois, quando estava sem dinheiro para comer e planejava um assalto, Gabriel Ribeiro, dono da escola de Boxe Delfim, arrumou um emprego que tirou de vez Nativo da vida do crime.

“Ele (Gabriel) me conheceu no dia em que eu precisava de ajuda, que estava pensando em voltar a assaltar. Ele olhou pra mim, viu que tinha algo negativo no meu olhar, e me ofereceu um trabalho. Aquela atitude dele foi decisiva para a minha vida. Agradeço muito a ele. Hoje, estou na Rio Fighters e só tenho a agradecer ao mestre Miltinho Vieira e ao Rogerinho Miranda. Eu só estudei até a terceira série, então tenho muita dificuldade em arrumar emprego. Hoje eu vivo da luta graças a ajuda que o Miltinho me dá aqui na Rio Fighters”, contou.

Com o suporte da Rio Fighters, Nativo vem treinando forte diariamente para não perder as oportunidades que surgem no MMA. Vindo de um empate no Shooto Brasil 25, o peso meio-médio tem compromisso marcado neste sábado (12) pelo Face to Face 13, que acontece no Clube Mauá, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, quando enfrentará Jeferson da Fonseca em uma das superlutas da noite.

“Estou feliz por eles terem me convidado para essa luta no Face to Face. Não conheço o meu adversário, mas vou impor o meu jogo para sair com a vitória. Estarei bem preparado em pé e no chão. Eu gosto muito da trocação, mas também sou muito bom no Jiu-Jitsu, só não tive a oportunidade de mostrar ainda o meu nível na luta de chão”, disse o faixa-roxa de Jiu-Jitsu.

Nativo tem um cartel de duas vitórias, um empate e uma derrota. Apesar do modesto cartel, ele já sonha com grandes oportunidades.

“Meu sonho já foi realizado, que era me manter vivo. O esporte me possibilitou isso. Mas eu tenho um novo sonho agora, que é conhecer o Dana White e, quem sabe, conseguir uma oportunidade no UFC para ter um bom salário e dar uma vida melhor para a minha esposa”.

Pra quem já venceu todas as barreiras impostas pela vida, nada é impossível.